Qual é mesmo a cor da sua saia rosa?

DestacadoQual é mesmo a cor da sua saia rosa?

Sabe aquelas conversas que começam com frases do tipo: ” Não é para te ofender mas, já vou te ofendendo”?

Ninguém faz questão de escutar o que vem depois, e infelizmente por questão de educação continuamos a conversa. Outro dia tive um desses papos com alguém de total irrelevância, para não dizer quase desconhecido.
Iniciou bem assim:
– Você deve ter sido roqueira! Sei que você deve querer dar um soco nos dentes de quem te fala isso mas… você já pensou em usar outras cores de roupa? Sabe você é adulta agora, a adolescencia já passou!
Ao que respondi:
-Posso ter sido roqueira. Não, não tenho esse tipo de arroubos de violência. E conheço pessoas que usaram preto toda a sua adolescência, grande parte de sua vida adulta ou que usam até hoje, e elas tem mais claridade, discernimento em seus atos e tem muito mais alegria de viver que muitas pessoas que se vestem com o arco-íris da moda todos os dias.

O assunto não foi muito além disso, afinal algumas pessoas se sentem ofendidas quando respondemos o que elas nos perguntam. Curioso! Mas toda essa história de como me visto e como se veste um adulto ou seja lá quem for, me levaram destrinchar uma dúvida que há muito tempo havia planteado a mim mesma e lançado ao universo, sem obter resposta. Um fato de ampla dificuldade de compreensão para mim: o real motivo das pessoas se cobrirem de uma personalidade artificial durante toda sua vida.

Tanto tempo de observação depois de plantear me esta dúvida, desenvolvi uma teoria, todavía bruta e um tanto tosca, mas quiças ao dividi la e torna la alvo de discussão publica, receba os inputs necessários para transforma la em uma pesquisa séria (digna de fundamentar um reality show, quem sabe…?).

Para explicar minha teoria partirei de uma suposição, onde esses seres maquiados, são ferramentas de uma guerra. Sim, uma simples e conhecida palavra, que atualmente como antigamente, derruba e consagra governos, cria novas ciencias e tecnologias e movimenta a economia (para bem ou para mal) de todo o planeta. Sem falar no controle do crescimento populacional, o que já é todo um tema, talvez outra teoria louca de minha mente atroz e malévola!

Voltando ao tema inicial, eu dizia que a guerra, sim o instinto de luta, não o de sobrevivencia, é o que faz crescer em algumas pessoas a necessidade de camuflar se todos os dias para sair das trincheiras que são seus lares.
São como soldados sociais, a serviço das tendencias e opiniões alheias. Em lugar da lama muita base e pó compacto, e a cada pincelada de blush uma marca de preocupação se esconde deixando aos inimigos somente uma aparência de pessego rosado que envolve um sorriso falsamente avermelhado por um caríssimo batom. Sua farda cuidadosamente eleita dentre tantas opções exclusivas e originais de revistas de moda, deixa passar desapercibida qualquer irregularidade que possa existir em suas mentes ou corpos. As unhas, pequenas ou parecidas a garras de animais selvagens, devem estar sempre pintadas, nunca descascadas e rodeadas de restos de cutículas, pois as mãos poderiam denunciar ao inimigo seu esforço diário em manter a limpeza e a ordem em sua trincheira. Tenho que citar que essa é a guerra do menor esforço, físico. 

Quem mais delega e menos faz pelos outros, ganha. É uma guerra psicológica, travada no âmago do cerebro, são os intintos mais primitivos do ser (como o de proteção) versus os mais fortes impulsos de egoísmo e altruismo, sendo que em alguns casos o primeiro perde de lavada. E o ser deixa de ser, deixa de existir! Quase por fim e não menos importante: os cabelos. Se em uma guerra real eles praticamente não existem, pois atrapalham a visão e o encaixe dos capacetes (creio eu), na guerra dos Zelos Sociais eles são a arma mais poderosa. Podem ter várias formas e cores, porém essas variações devem ocorrer no menor período possível. 

Essa batalha é vencida pelo visual mais aceitável, ou seja, cem por cento da vezes liso; noventa e nove por cento das vezes as cores mais comuns: castanho, preto e loiro. Esse um por cento que sobra, é para algumas ruivas, pois um general da moda, deve ter dito que os cabelos alaranjados e avermelhados não são para qualquer uma!  Jamais me esqueceria dos pés, em saltos altos sempre, tão altos que não lhe permitam caminhar como um ser humano e que em nada engrandecem o ser “seja lá o que for” sobre eles. Pobres pés!

E assim o pobre ser aprisionado nessa guerra de friezas e frivolidades mil, vive sua vida. Carregando em suas costas o terrível peso da sua segunda personalidade plástica, em uma redoma quase tão frágil e fria como o vidro do perfume que usam todos os dias, para disfarçar os odores de fracasso, fraqueza e falsidade.

Anúncios
Sem rancores

Sem rancores

Acredito nunca ter odiado alguém, não por mais do que os cinco segundos que duram os poucos momentos de fúria por mim vividos. 

– Pelo menos você não guarda mágoas. Elas tendem a ser bem nocivas! – diriam algumas pessoas.

De minha parte, vejo como uma falha de caráter o fato de eu não conseguir sentir um pingo de ódio, mesmo por aqueles que me fizeram qualquer  mal propositadamente. 

É como se eu não possuísse um mecanismo de defesa básico e tentasse compensar com o esquecimento. Por isso não odeio, eu esqueço. 

Isso talvez me faça parecer um pouco antipática, alguém que não se importa e faz questão de destacar isso. Não é de todo errado afirmar isso a meu respeito, porém prefiro uma definição mais leve, talvez comparando-me aos cachorros.

Aprendi com os caninos domésticos, que mais vale prestar atenção ao afago e as palavras motivadoras, do que usar o mínimo de minhas energias tentando entrarde cabeça em discussões com pessoas que estão interessadas em ter a razão sempre.

A casa mais bonita da rua

A casa mais bonita da rua

Quando eu era apenas um broto estirado, dando meus primeiros pareceres sobre minha pouco vivida existência, sempre questionava os adultos sobre as diferentes aparências das casas da rua.

Algumas eram tão arrumadinhas, parecia até que estavam prontas para ir ao baile! Trajando tijolinhos vermelhos amostra, janelas belamente enfeitadas por cortinas de cetim, um telhado pontudo com caimento perfeito e para ornamentar com encanto supremo, canteiros retinhos, de flores coloridas!

Outras casas porém, já não tinham mais brilho para luzir, suas fachadas decaídas tinham tijolos aparentes, apenas nos buracos do reboco. Perto das casas emperequetadas, não passavam de meros leprosos à porta da igreja, como em gravuras antigas.

A minha casa estava bem no meio do ranking dessa desagradável competição. Sempre me pareceu ser uma disputa estética mas, era apenas a disposição normal das classes sociais, não tão óbvio para o pouco discernimento eu tinha na época. E em minha inocência, jurava que se fosse um concurso de beleza, a casa onde eu vivia seria a vencedora!

Ela tinha as marcas do tempo em suas paredes dentro e fora mas, as exibia com o mesmo orgulho das senhoras idosas que vão à feira com seus melhores vestidos! E o vestido que minha casa trajava era o lindo jardim cultivado pela minha avó! 

O local onde as manhãs eram de cantoria para os pássaros que ali se aninhavam sem cerimônia e as noites eram perfumadas pelas flores. O verde intenso cobria as janelas com a pintura rachada e serviam de cortina nos dias mais ensolarados! Em resumo era a candidata mais qualificada à coroa e faixa de “Miss Casa”!

Uma moeda já serviu mais

Uma moeda já serviu mais

Um dia de pagamento não é um dia comum. É o momento de fazer os cálculos e se dar conta de que até o ar respirado esta sendo cobrado com louvor pelos que se dizem donos de tudo. 

Já se perguntou porque você deve pagar toda sua vida por serviços básicos como luz e água? Sendo que as obras de melhoria da distribuição destes serviços, esta sempre sendo interrompida para se investigar irregularidades, como desvios de verbas.

Já pensou em como é fácil financiar um carro ou um celular e como é difícil adquirir uma propriedade imobiliária? 

Não te aflige nem um pouco a quantidade crescente de barreiras  intransponíveis para entrar em outros países, porque seus governos se consideram donos daquele espaço de terra?

Agora devemos estar sempre atentos para saber quanto e se vai valer o dinheiro que temos. As coisas  eram diferentes quando havia a troca de mercadorias. Provavelmente haviam conflitos mas, certamente o lucro desenfreado não. Nos fizeram acreditar que era impossível continuar como era, para que pessoas sem aptidão de produzir ou prestar serviços pudessem dominar as que sim podiam.

Os ineptos donos do dinheiro ditam todos os dias o rumo de nossas vidas e nos sentimos tão cansados de tanto trabalhar para ganhar, que não temos força para lutar, nem viver.

Existir plenamente

Existir plenamente

Nestes dias tenho me preocupado verdadeiramente com o futuro. Não só o meu mas, o amanhã de todos nós, humanos e não humanos, todas as espécies vivas e tudo o que criamos para fingirmos que temos objetivos individuais.

Pensei em todo o esforço feito ao longo da história humana, para conquistar, para se distanciar do hábitat dito hostil e criar um lugar ideal. E na verdade já criamos este lugar, nos jogos virtuais. No ambiente virtual o humano realiza seus delírios de grandeza com sucesso, deixamos de ser quem somos e finalmente podemos ser aquilo que achamos melhor ser.

Se continuamos assim aonde chegaremos? Será que finalmente conseguiremos alcançar a completa integração de nossa mente humana com o mundo virtual? Se livrar da nossa parte orgânica e transcender a consciencia é o próximo passo na evolução de nossa espécie? Sinceramente espero que não! 

Tudo o que criamos até hoje para possuir status, são apenas distrações da realidade, para que nos esqueçamos da morte. Isso tudo que inventamos não nos livra dela, somente nos aprisiona numa existencia de consumismo desenfreado.

Infelizmente o mal que queremos evitar é inevitável, e na tentativa de aplacá-lo criamos um mal pior: o dinheiro. Esse vilão molda nossas vidas e nos torna fracos ou fortes, indepente de nossas habilidades.

Não podemos culpar alguém ou nos culpar por tudo o que foi feito até hoje, pois encontrar o culpado somente trás a clareza em relação ao crime já cometido, o tempo não volta e nada se concerta, apenas seguimos em frente. 

E é isso que devemos fazer, continuar  a viver da melhor forma possível, esquecendo de todo este vél de frivolidades que assola nosso mundinho e expandir nosso conceito de felicidade egoísta. Pois a real felicidade esta implícita no fato de existirmos.

E mais do que existir, podemos fazer! Fazer de nossa existência algo maior do que meros personagens de jogos. 

Parou aí? 

Parou aí? 

Todo mundo sonha em ter olhos claros! Eu não. Todo mundo quer ter cabelo liso! Eu não. Todo mundo ama os famosos! Eu não. 

E não é porque eu não sou “todo mundo” , também não é porque eu seja do contra e também não é excesso de amor próprio. É só porque eu tenho meu próprio modo de receber informações e absorver elas para criar meus conceitos. 

Não é porque um genio do século retrasado falou que estava certo, que eu vou engolir sua teoria e defecar ideologias absurdas por aí. 

Quando alguém faz tal coisa, a humanidade perde todos os seus méritos. Ora, se somos pensadores, porque não desenvolvemos novos métodos para resolver nossas mazelas atuais? Ao invés de analisar sob uma perspectiva desatualizada, dificultando tudo, até chegar um ponto que não há solução lógica. 

Será que chegamos a um ponto limite de nossa criatividade? Não consigo acreditar que o conformismo dominou nossa geração mas, diante dos acontecimentos cotidianos, só posso pensar que sim.

Nos entregamos. Tudo esta igual faz tempo. As músicas recicladas, a literatura jogada fora, os cientistas martelando as mesmas teclas de quarenta anos atrás e a tecnologia usada para bestializar nações.

Peço uma chance para a criatividade! Pare tudo que estiver fazendo agora. E faça algo novo!

O outro também sou eu

O outro também sou eu

A compreensão do alheio é mais presente em nossa vida do que o esforço do auto conhecimento. 
Por menos importante que pareça o detalhe que torna o outro observável, mais nos aplicamos à arte de estudá lo em segredo. Criamos perguntas em torno deste objeto que urgem por uma resposta adequada.

Não nos damos conta de como tal questionamento pode influenciar em nossa própria vida. Pois se fizéssemos  uma ponte invisível entre nossas vivencias e as dos outros, veriamos as similitudes que nos aproximam e já não deixariamos boatos e especulações nos separarem como espécie. 

Porque a necessidade de definir a utililidade de outrem, é tão importante, a ponto de suprimir nossa curiosidade a respeito de nossas próprias limitações e de como podemos superá las?

Já ouviu a expressão: “Fulano não presta”? Ao mesmo tempo que julgam, estas poucas palavras definem o grau de utilidade de uma pessoa baseando se em uma atitude aleatória ou conversação superficial.

Esta certo que às vezes a expressão citada, é dita com um sentido invertido, para elogiar  de forma sínica um feito inusitado e divertido.

Porém sempre senti que quando alguém diz que o outro não presta, esta na verdade definindo o quanto precisou do outro e não obteve reciprocidade deste.

Isso sempre acontece quando temos a necessidade de atribuir aos outros nossa chance de êxito. Então devemos “prestar” ou ser úteis para todos nosso propósitos, antes de exigir a utilidade máxima alheia.

Se realmente precisamos de ajuda, temos que aprender a pedir, sem impor nossos padrões de qualidade, apenas especificando no que o outro pode contribuir para alcançar juntos o objetivo. 

Unir objetivos, unir visões, unir a raça humana pode ser o estopim para uma revolução do pensamento. Já fizemos isso e faremos novamente.

Aprendemos que a hierarquia nas empresas deve ser respeitada mas, também aprendemos a pensar e isso compromete totalmente nossa capacidade de cumprir ordens cegamente. 

O questionamento não é visto com bons olhos pelos ditos “superiores”. Sendo que sua suposta superioridade consiste apenas em um denominação mais longa da descrição de cargo e uma soma de dinheiro (ínfima) a mais no  contra cheque! 

Quando um “chefe” puder ser mais do que um Pinóquio, dando se conta enfim de que é apenas uma marionete a serviço de raposas, quem sabe nesse dia vai surgir o empregado que sim gosta de trabalhar aumentando o lucro e melhorando a qualidade de vida de terceiros! Na verdade não.  Esse tipo de “empregadinho” já existe e podem ser denominados assim mesmo ou de várias outras formas.

“Empregadinho” é o fofoqueiro que tem como objetivo um tapinha nas costas, mesmo sabendo que trabalha para um tirano sem amor à vida, somente devoto ao seu medíocre trabalho.

“Empregadinho” é o amigo desprezado do “chefe” e na frente deste é como um cãozinho submisso mas, esse animalzinho pode ser mais traiçoeiro do que uma serpente, agindo pelas costas de todos!

É possível escrever muitas linhas sobre “chefe” e “empregadinho” porém em resumo, são somente o resultado de nossa sociedade decadente. Pode mudar? Pode. Mas não vai! Porque quando um “empregadinho” se torna “chefe” o ciclo se reinicia.

Por sorte os modelos de gestão empresarial que permitem a existencia e procriação deste tipo degradante de funcionario, esta acabando. Se estivermos preparados para o novo, ele será instaurado de vez, pensar e agir serão as qualidades do novo funcionario. Enquanto os viciados em mandar baseados em um poder fictício e os seguidores cabisbaixos destes serão aposentados!